A violência digital contra as mulheres baseia-se na utilização de tecnologias online para ameaçar ou provocar e facilitar a violência com base no sexo.

 

Tendências alarmantes:

  • O assédio e perseguição online, a partilha não consentida de material íntimo e o discurso de ódio online são as formas mais prevalentes de violência digital contra as mulheres.

  • A inteligência artificial e a tecnologia estão a ser utilizadas como armas para criar falsificações digitais de cariz sexual, em que 90-95% das vítimas são mulheres e raparigas.

  • As comunidades de jogos online são ambientes cada vez mais hostis para raparigas e mulheres, com elevadas taxas de assédio sexual.

  • O impacto nas vítimas inclui traumas psicológicos graves, perdas económicas e o afastamento dos espaços digitais.

  • A pornografia incentiva e normaliza a violência contra as mulheres, desempenhando um papel central na formação das perceções de homens e mulheres sobre as relações.

A DIMENSÃO DIGITAL DA VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES E RAPARIGAS

 

Assédio Sexual Online

Comportamento de índole sexual que atenta contra a dignidade de uma pessoa, em condição intimidatória, hostil, degradante, humilhante ou ofensiva, por meio da internet.

 

Bodyshaming

Ato de envergonhar ou ridicularizar o corpo de alguém (forma, tamanho e aparência)  com comentários públicos ou privados.

 

Roubo de Identidade

Utilização do nome ou da identidade de outra pessoa com a intenção de a prejudicar, enganar, intimidar ou ameaçar.
A personificação online pode ser utilizada para desacreditar as mulheres visadas no seu ambiente social e de trabalho ou para fins criminosos.

 

Discurso de Ódio Sexista

Todas as formas de expressão que incitem, promovam, difundam ou justifiquem a violência, o ódio ou a discriminação com base no sexo, ou que menosprezem devido às características ou estatuto pessoal, real ou atribuído.

 

Perseguição (Stalking)

Prática que envolve incidentes repetidos, que comprometem a sensação de segurança da vítima e causam angústia, medo ou alarme, incluindo: intrusão, assédio persistente e perseguição online.

 

Aliciamento Sexual (grooming)

Processo/estratégia em que uma pessoa adulta forma uma ligação emocional com uma criança ou adolescente para a manipular, de forma a não obter resistência a um abuso. Decorre, muitas vezes, em websites e comunidades online destinadas a crianças.
Quem abusa pode assumir uma identidade falsa, apresentando à potencial vítima como um par, alguém que não é suspeito ou perigoso. 

 

Violência Sexual com base em Imagens

Leque de comportamentos sexualmente abusivos, uma vez que violam o consentimento das vítimas sobreviventes, com recurso a imagens de nudez e/ou de índole sexual:

Falsificações Sexuais Digitais (Deepfake)

Utilização da tecnologia para manipulação de conteúdos (fotografias e vídeos) de forma a criar conteúdo sexualmente explícito e utilizar esse conteúdo com o objetivo de violar a privacidade e a dignidade de uma pessoa.

Exibicionismo Digital (Cyberflashing)

Envio não consentido e não solicitado de mensagens com conteúdos sexualmente explícitos (imagens ou vídeos), indesejados e ofensivos.

É preciso agir já!
Como?

  • Imputar a responsabilidade a quem partilha o conteúdo sem consentimento.

  • Alertar para o risco inerente ao envio de imagens.

  • Rejeitar discursos e atitudes que responsabilizem as vítimas pela violência de que foram alvo.

  • Combater a ideia de “inevitabilidade” ou “fatalidade”. Não cabe às potenciais vítimas evitar o risco da exposição e prevenir o crime.

  • Evitar julgamentos morais.